domingo, 29 de junho de 2014

Sobre lembranças e recomeços

Ela caminhou por muito tempo carregando aquelas lembranças consigo, como se não fosse possível seguir sem elas. Realmente não parecia ser possível, ela havia se acostumado e deixar aquelas lembranças parecia errado, egoísmo, soava triste. Talvez fosse ela quem não quisesse admitir, mas afinal, quem além dela sabia o tamanho e a importância de tudo aquilo?

O tempo passou, não tão depressa como deveria, mas passou. Consigo levou parte das lembranças e a deixou livre, ou pelo menos mais leve para seguir. O tempo se encarregou de carregar as malas pesadas, deixando apenas a bagagem de mão, com a qual ela conseguiria se virar.

As ruas já não a assustavam mais, as pessoas a observavam e podiam ver  que seus olhos haviam voltado a brilhar, chegava a brotar um sorriso naquele rosto, antes triste, agora em paz. Era alívio, sobretudo paz, de espírito, de coração.

Os perfumes já não incomodavam mais, as canções agora conseguiam a fazer dançar e cantar junto.. e com isso ela entendeu que havia passado, as malas não pesavam mais e seu coração estava leve.

E ela conseguiu recomeçar. Caminhar. Chorar, só se fosse de tanto rir.

3 comentários:

  1. Eu amei o texto Raúla! Adorei a comparação das lembranças com as malas, de como retrata a recuperação. Muito bonito! :)

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  2. As lembranças existem para que possamos ser mais fortes, as cicatrizes nos lembram o quanto é difícil superar e ir em frente, mas tudo passa... sempre passa.

    Levantar quantas vezes for preciso.

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