quarta-feira, 6 de julho de 2016

Viver parece mesmo coisa de insistente *

Os tempos não são fáceis, o corpo está pesado e a mente já não quer mais processar. Você percebe que não está bem, quando o ato de (tentar) escrever torna-se difícil, para não dizer impossível. E é aí que você percebe que sempre escreveu para si, com o objetivo de espantar as dores e sofrimentos da alma. Escrever cura primeiro quem escreve para depois curar quem lê.

A rotina acordar-trabalhar-dormir-acordar-trabalhar me angustia de uma forma tão forte que eu não consigo explicar. Desde que eu terminei a faculdade (dezembro/2015), não encontro forças para ser mais do que uma mera contribuinte da classe trabalhadora. As crises são mais frequentes, o cansaço só aumenta, como se eu pesasse 250 kg e a vontade de levantar só diminui. É difícil assumir que não se está bem, mas com o decorrer da vida a gente aprende que não há a obrigação de ser feliz sempre, muito menos tentar mostrar isso ao mundo.

Parafraseando Pitty, só nos últimos 5 meses eu já morri umas 4,5 vezes. 



* trecho da música "Setevidas" - Pitty

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Breve (ou não) relato do que foi 2015

Alívio. No momento, é a única palavra que me vem a mente para descrever o que estou sentindo. Esse texto com certeza será um daqueles gigantescos, pois há muito o que contar, nem sei por onde começar. Escrever é única forma de descarregar todo e qualquer sentimento que carrego aqui dentro. Que comece a retrospectiva 2015.

2015 foi mais um ano do qual eu não sei direito o que pensar/falar/escrever. Minha pouca (às vezes muita) idade me impossibilita de lembrar de todos os acontecimentos. Lembro do sentimento que tinha no final de 2014 sobre o que seria 2015: um ano difícil por causa do final da faculdade, mas que prometia muitas surpresas. 2015 seria um ano de conclusões, definições e realizações. De fato foi.

Divido meu ano sempre em semestre (influência da vida escolar): o primeiro sempre (ou quase sempre) tende a ser aquele bolo de chocolate que você acha uma delícia no início, mas aí encontra uma cereja e perde a graça. Esse ano foi da mesma forma, houve mudança de departamento no hotel, o que me trouxe muitas experiências mas muitos desafios também, forçando a Raúla ser alguém melhor, lutando contra si mesma. 

Houve muito trabalho, relatórios e mais relatórios, mas teve também muita parceria e gente de coração e alma leves. Aconteceu o cursinho e com ele muita gente bonita, transmitindo conhecimento e me dando forças pra insistir. Teve o Rô sempre ao meu lado, ora puxando a minha orelha, mas sempre me apoiando (o que nem sempre significa concordar com as minhas palhaçadas). Sei que é difícil conviver com um ser tão complicado como eu, mas não desista! Tenha certeza que o amor é recíproco e eu aprendo cada dia mais com você.
Alguns momentos de loucura ali no meio do ano, vontade de desistir e muito drama. Por isso digo que quando se tem uma mão para apertar, o caminho torna-se mais fácil, mas é preciso saber o que fazer, pra que essa mão não se canse e queira se soltar.

O segundo semestre, que sempre é o meu preferido, prometia fortes emoções este ano. Trato o segundo semestre como um presente surpresa, todo bonito e que me deixa ansiosa para saber como será (geralmente é bom).
O meu lema para momentos de tensão e preocupação com o que está por vir é: passa. Fica tranquilo que vem, mas passa, seja o que for.

Havia o TCC, tão temido, as provas de Matemática Financeira, mas também as aulas de Psicologia que me fizeram muito bem, onde eu podia falar, falar e falar, além de levar comigo muitos ensinamentos.

E passou.

Hoje é dia 29 de Dezembro e todas as preocupações e ansiedades de 2015, até então, passaram. Sobrou uma Raúla em frangalhos, talvez. Um joelho ralado, um remendo aqui e ali, mas trouxe uma Raúla melhor, com dramas e medos (muitos), mas ainda mais sonhadora e esperançosa.

O que eu espero de 2016? Mais amor, confiança, bom humor, sorrisos e pessoas leves. Que seja bonito para todos nós, que sejamos ainda mais fortes, que sonhos se realizem e o bem prevaleça. Não farei promessas, mas espero ler mais e escrever muito mais.

beijos de luz!

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Sobre querer mas não conseguir desistir

Lá em meados de março desse ano tive a louca brilhante ideia de fazer cursinho pré-vestibular. Último ano da faculdade - graçassss a deus - e, como ansiosa que sou, esperar mais um ano para fazer o curso dos meus sonhos estava fora de cogitação. Minha mãe costumava me dizer com certo ar de reprovação - que por sinal, eu não condenava e até concordava - que eu vivia querendo fazer tudo ao mesmo tempo e acabava não fazendo nada. Mesmo um pouco chateada, sempre concordei com isso, por isso, nessa altura da vida, resolvi que ia mudar, mas me peguei em 2015 fazendo 35864125 coisas. Vida que segue. Talvez aos 25 anos eu consiga, espero, mãe.
 
A questão é que desde o início eu sabia que não seria fácil, seria do caralho. Tinha total noção de que no segundo semestre eu estaria descabelada por causa do TCC, estágio, projeto de iniciação científica, trabalhos e o tal do vestibular - que mesmo depois do terceiro ano e uma quase graduação, ainda assim é temido. Mas eu peguei o lápis, sentei com o Ro, estudei as possibilidades e resolvi que deveria arriscar. Sabia que o cursinho não seria prioridade, pelo simples fato de que se eu não estudasse para as provas da faculdade e/ou não apresentasse meu TCC, não conseguiria me formar e consequentemente de nada adiantaria estudar para o vestibular.
 
Mas é claro que os dias cinzas iriam chegar e os planos e projetos poderiam fracassar. Se em julho/agosto eu já estava de saco cheio de tudo, imagina a vibe errada que chegou em setembro juntando o cansaço do universo e tudo o mais. O cursinho foi a primeira coisa que me veio à cabeça em quesito de liberação de horas para sobreviver com um pouco de sanidade mental, mas ao mesmo tempo o coração doeu. Apertou, de verdade. Lembrando que vou ao cursinho todos os sábados, das 9h às 20h - quando crio forças e vergonha na cara para ir à aula extra que é das 9h às 11h30. Foi impossível não criar laços, mesmo a sala sendo composta a maioria por pessoas bem mais novas que eu e pelo fato de eu estar ficando velha e ranzinza e isso incomodar sometimes, eu fiz amizades que sei que irão ser pra sempre. E eu criei laços com os professores, o que doeu ainda mais na decisão de continuar ou não com o cursinho.
 
E eles são incríveis. Talvez o meu amor pela profissão - sim, farei Pedagogia e hoje até me peguei pensando em fazer Letras também <3 - me deixe com os olhos brilhando por cada professor que entra naquela sala, mas eles realmente sabem ser maravilhosos, cada um com sua particularidade. Claro que as aulas em cursinhos são diferentes, pelo fato de que eles fazem piadas, nos fazem rir até chorar, encontram inúmeras formas de chamar a atenção dos alunos, além do foco ser algo específico como o vestibular - não que eu não ache que as aulas na escola ~~normal~~ não deveriam ser com foco nesse puto do vestibular também.
 
O meu professor de Geografia no cursinho, por exemplo, é INCRÍVEL. James - esse é seu nome e eu me pergunto se é verdadeiro - é gigantesco, eu morria de medo dele nas primeiras aulas. Lembro que na primeira aula que tive com ele cheguei atrasada e precisei sentar bem no fundo da sala, pois quem chega atrasado leva na cara na questão de querer sentar na primeira fileirinha, hehe. Pois bem, ele falava alto demais, ele era alto demais, ele GRITAVA. Mas desde então eu amo as aulas de Geografia e já aprendi tanta coisa que nem sei, mesmo não conseguindo estudar em casa. Mas James vai além das aulas sobre rochas e mapas, ele fala sobre preconceito, injustiça, desigualdade social... ele nos faz PENSAR. Ele faz adolescentes de 17 anos pensar e questionar inúmeros assuntos que eu mesma não tive a oportunidade de tomar conhecimento nessa idade. E isso aquece o coração. Vou criar coragem para no último dia de aula com o James lhe dar um abraço e agradecer por todas as aulas incríveis, por todas as histórias, por todas as risadas e por todo amor pela educação que despertou ainda mais em mim.
 
Foi por esse e por outros professores lindos que decidi continuar. Foi por pensar no quanto me faria falta as aulas de sábado, nas tantas horas que passo lá mas são sempre muito agradáveis, pelo fato de aprender tanto mesmo as aulas sendo corridas e que passam tão tão tão depressa. É pela Fer, amiga do coração que conheci no cursinho, que eu decidi continuar, pois sei que preciso lhe dar força, assim como ela me dá. As meninas pra quem guardamos lugar todos os sábados, pois assim poderemos ficar juntas nas primeiras fileiras, estudando e batendo papo.
 
Eu sei que vai ser tenso, que existirão sábados em que eu não sentirei a mínima vontade de ir, que me faltarão forças e sobrará cansaço, mas eu vou continuar por eles, por mim, pelo meu tão sonhado curso de Pedagogia que será alcançado, de alguma forma ou de outra. Vou continuar e insistir, mesmo que me faltem forças, pra que um dia eu possa fazer diferença na vida de alguém, assim como esses professores e todos aqueles de verdade que tive na vida, fizeram na minha.
 
Let's Go!
 
 

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