sábado, 29 de agosto de 2015

2. A moça da esquina do Jazz

Esse post faz parte do Projeto 1001 pessoas que conheci antes do fim do mundo, inspirado neste blog.


Desde que me mudei para São Paulo, há exatamente quatro anos, sempre gostei de caminhar pela Avenida Paulista, por mais clichê que isso pareça. Mesmo gostando muito, fiz isso pouco durante três anos, por falta de tempo, por não marcar encontros por lá e outros tantos motivos. Este ano, quando resolvi que iria fazer cursinho mesmo estando no último ano da faculdade, escolhi a unidade da Paulista por simplesmente ser o lugar mais incrível para se estudar.

A Avenida Paulista sempre representou para mim muitas coisas, diversos sentimentos e mesmo hoje, depois de tantas alegrias, fiquei ainda mais confusa sobre qual sentimento esse lugar exerce sobre mim. É onde se encontra pessoas de todos os tipos de culturas, lugares e classes. Na mesma calçada você esbarra em ricos e pobres, mesmo estes caminhando tão distantes na vida, na Paulista eles compartilham o mesmo caminho, não que isso não incomode alguns. Se eu pudesse definir a Avenida Paulista em apenas uma palavra seria: arte. Há arte por todos os lados, a Avenida Paulista é cheia de artistas.

Saí do cursinho com uma amiga e caminhávamos em direção à estação de metrô. De repente nos deparamos com uma roda em volta de um moço muito simpático que fazia malabarismos. A propósito, gosto de pessoas que param para apreciar esse tipo de coisa, sempre gostei disso e estar ao lado de alguém que simplesmente resolve parar porque também admira, é ainda mais bonito. Ficamos alguns minutos e resolvemos seguir em frente, pois eu estava ouvindo um som familiar.

Na semana passada eu já havia visto ela tocando, mas infelizmente não consegui parar, entretanto, me alegrei da mesma forma. Hoje, com essa amiga que sempre concordava em parar, resolvi que já era hora de ouvir a moça com mais atenção. É incrível o poder que a música tem sobre nós, não é mesmo? Eu toco e entendo um pouco, mas sempre fui apaixonada e às vezes penso se não deveria voltar a tocar. Mas a questão é que a moça tocava com a alma, só entende o quanto isso é possível quem admira a arte da música também. Às vezes pouco importa se a pessoa tem a voz bonita ou não, mas o que ela transmite vale mais do que qualquer coisa. É claro que a voz dela era bonita, mas junte a isso o ambiente que ela criou para tocar, o violão, os olhos brilhando e o cenário, que claro, era o lugar mais bonito e inspirador para se estar: a Avenida Paulista.

Ficamos alguns minutos ouvindo até que um moço pediu para que ela tocasse música brasileira, com toda a simpatia do mundo ela concordou e logo encontrou uma que é claro que não me recordo, pois estava emocionada demais. Eu não sei o que aconteceu, eu só estava emocionada com aquele momento e gostaria de ficar ali para sempre. Tudo conspirava para aquele momento bonito, a música, a luz baixa, as pessoas indo e vindo, os carros, o coração aquecido. Eu senti meu coração aquecido e por um momento esqueci de toda e qualquer tristeza que poderia existir. Sentimento de coração aquecido é a melhor sensação que se pode ter. Olhava para a minha amiga e sorria, estávamos felizes só por ouvir e ver aquela moça cantar. Eu queria chorar, não sei bem o porquê, mas eu sentia um alívio e uma vontade de dançar.

Tirei uma foto e fui falar com a moça, no mesmo instante que a vi e ouvi, sabia que deveria escrever aqui, pois não conseguiria nunca expressar de outra forma tudo o que sentia naquele momento. Pedi permissão para publicar a foto e escrever sobre ela, o pedido foi aceito. A moça tem nome: Carolina Zingler. E ela toca na Esquina do Jazz, localizada na Avenida mais linda dessa cidade da qual estou aprendendo a amar.


Obrigada por ter feito essa noite de sábado ser ainda mais bonita. Muito amor, energia positiva e muita, muita música na sua vida.



Um comentário:

  1. Olá!
    Eu tenho o Facebook da Carolina Zingler e a mesma publicou esse texto seu na time line dela. Gosto muito de parar também para admirar ela cantando, embora eu tenha feito apenas uma vez porque não passo com tanta frequência na Paulista. Mas fiz questão de conversar com ela para elogiar e acabei ficando com o Facebook dela também. Enfim, adorei seu texto, vc escreve muito bem! Eu fico na internet algumas vezes caçando bons textos para ler e gostei muito do seu. Eu tenho um blog também e estou divulgando aos poucos meus textos. Quando tiver um tempo, visite lá: https://finofiction.wordpress.com
    Até!

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